(Escrevi este texto no dia da morte do Chorão – 6 de março de 2013, e por isso as referências a datas estão confusas.)
Numa sociedade onde as pessoas se chocam, se escandalizam e se ofendem ao verem dois homens se beijarem ou andarem de mãos dadas, mas assistem filmes onde pessoas são torturadas, mortas e decepadas e se divertem com isso, eu já não deveria esperar muita coisa no alto dos meus 33 anos.
Numa sociedade onde as pessoas se chocam, se escandalizam e se ofendem ao verem dois homens se beijarem ou andarem de mãos dadas, mas assistem filmes onde pessoas são torturadas, mortas e decepadas e se divertem com isso, eu já não deveria esperar muita coisa no alto dos meus 33 anos.
Mas o assunto sobre o qual escrevo dessa vez, não tem a ver com homossexualidade.
A questão é que eu não consigo me acostumar com certas coisas. A morte de Hugo Chavez ontem e a do vocalista Chorão hoje me fizeram pensar na falta de compaixão das pessoas. E foi assim antes, com a morte de outros, como Amy Winehouse, Michael Jackson, com as pessoas dentro da boate em Sta. Maria. É de espantar como pessoas conseguem fazer piada ou até mesmo comemorar as mortes de pessoas que elas nem sequer conhecem.
No caso de artistas, por mais que eu não goste da carreira de alguém, eu acredito que nunca ficaria feliz com a morte de uma pessoa. Eu nunca gostei de Charlie Brown Jr. e nem era fã dos Mamonas Assassinas. Eu não posso dizer que fiquei triste ou que fiquei de luto pelas mortes deles, mas tenho certeza que não fiquei feliz. Acima de tudo, eram seres humanos. Foram vidas que se perderam, no caso do Chorão (se for confirmada a overdose) uma estupidez, no caso dos Mamonas, uma morte trágica, de pessoas que deixaram famílias (pais, irmãos, talvez filhos) e amigos chorando suas mortes.
Eu vi pessoas criticando Chavez, dizendo "um ditador a menos", dizendo que "foi tarde", chamando-o de idiota. E eu tenho certeza que ao menos alguns desses críticos sequer têm ideia se Chavez foi ou não um bom governante pro seu povo. Por outro lado, conheço pessoas antenadas, que sei que são informadas sobre assuntos políticos, declarando luto por sua morte. Não é de se pensar a respeito?
Hoje, eu pensei em, como todos estavam fazendo, comentar a morte do Chorão, mais a respeito de sua carreira do que dele propriamente, já que sei muito pouco sobre ele (e o pouco que sei não é de boas coisas). Mas eu tenho amigos que postavam quase diariamente frases ou músicas do CBJr, ou seja, eram fãs dele. Então, em respeito a esses amigos, eu deixei de dar minha opinião. Acho que é o mínimo que alguém que se considera humano deveria fazer. Frases como "vai tarde" são um desrespeito não só com a pessoa que morreu (até porque morreu, já não está vendo nada), mas com aqueles que ficam.
Em outros casos, como tragédias como a de Sta. Maria, eu vi o absurdo de "cristãos" comentarem em páginas sobre a notícia de que aquelas pessoas já estariam no inferno, que aquilo era castigo pelas vidas que aquelas pessoas levavam, etc. Mas peraí... Como pessoas de outros estados do país poderiam julgar as vidas daquelas pessoas? Que absurdo é esse, das pessoas se sentirem no direito de automaticamente julgar pessoas que sequer conheciam?
Eu costumo sempre falar sobre como falta EMPATIA às pessoas hoje em dia. E tenho visto que também anda faltando COMPAIXÃO. Porque não é preciso gostar de uma pessoa pra saber que, quando alguém morre, outras pessoas vão chorar aquela morte. Existem algumas poucas pessoas que eu talvez me sentisse... aliviado, talvez feliz, com a morte. Eu não sou perfeito. Mas são pessoas que, de alguma forma, fazem mal não apenas a mim, mas a milhares de outros, pessoas que pregam ódio, que promovem violência e morte, que tentam impedir que outros tenham direitos. Comemorar? Não sei. Mas de pessoas que nunca me fizeram mal, que sequer entraram na minha vida? Não, isso eu tenho certeza.