Por que tornamos a vida tão complicada? Por que, às vezes, desejamos tanto as coisas, mas, por medo da decepção, por medo de recebermos um não, perdemos tantas oportunidades, deixamos escapar nossas vidas por entre os dedos?
Vivemos neste mar de medos e incertezas, sem entendermos os porquês das coisas, sem entendermos a nós mesmos... Muitas vezes nos escondendo atrás de um sorriso, atrás de uma expressão sisuda, atrás do silêncio, dentro de muros invisíveis, muros construídos por nós mesmos. Escondendo estes mesmos medos, escondendo as lágrimas e a dor, mas gritando em silêncio e estendendo a mão num pedido de ajuda, mas tudo em vão. Porque dentro de nossas muralhas invisíveis, ninguém pode ver ou ouvir o que está em nossos corações.
E dentro destes muros vamos vivendo, infelizes, nos afogando em pesares, construindo nossas próprias sepulturas, morrendo em vida... Sobrevivendo cada dia por vez, sem pensar no futuro, esquecendo nossos próprios sonhos, esquecendo nossas ânsias, amores, desejos, enterrando-os no fundo de nossas memórias, achando que assim eles desaparecerão, apenas para um dia descobrirmos o quanto deixamos de viver, o quanto perdemos e deixamos pra trás.
Apenas para, um dia, descobrirmos que tentamos esquecer, mas que as lembranças ainda estão lá, e agora não passam disso... lembranças do que poderia ter sido, mas nunca foi nem mais será... Lembranças.
Tudo isso pelo medo de errar, da decepção, de receber um não... Por medo de sermos felizes...
Ouvindo: Grove - Call of Cthulu
--- Luciano Antoniasse