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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pra quem acha q as palavras são inofensivas.

Hoje, está "na moda" criticar a tal "moda do politicamente correto". Todo mundo q quer justificar seu "direito" de ser preconceituoso, usa esta expressão.

Eu quero falar um pouco pra quem acha q palavras como "viado", "bicha", "bambi", etc, são palavras inocentes, inofensivas, q tudo não passa de brincadeira entre amigos. Pra começar, vou citar o texto http://www.imprenca.com/2011/04/ricaperrone-um-desenho-para-voce.html e também o video http://www.youtube.com/watch?v=19jzWBo40Yc&feature=share.

O texto foi uma das reações ao texto do tal "jornalista" Rica Perrone, sobre a punição de um time de volei pq sua torcida ofendeu um jogador adversário. Já o video mostra uma menininha dizendo q odeia a tal banda Restart e dizendo q eles são "tudo viado".

No video, choveram comentários criticando a mãe da menina por ensiná-la (o q ela diz q não aconteceu) um preconceito. Preconceito? É preconceito, sim. P q? Porque desde já a menina está associando a palavra "viado" a uma coisa vergonhosa, algo ruim q tem q ser execrado, exterminado de preferencia. A banda é ruim, é ridícula = só tem viado.

Qdo o jogador Michael assumiu ser gay, ele disse q sim, q é, mas q isso não deveria ser comentado. Não pq fosse um segredo ou motivo de vergonha, mas pq NÃO DEVERIA SER RELEVANTE. Não deveria ser motivo de chacota, de humilhação, não deveria ser usado contra ele.

Qdo um torcedor chama outro de viado, bambi, a intenção não é fazer um elogio. É ofender, é diminui-lo, mexer com sua masculinidade, até pq se tem a ilusão de q o gay não é homem ou quer deixar de ser homem, e o mesmo com as mulheres lésbicas (eu uso o termo gay pra homens e mulheres, isso é comum no exterior e, por causa da Whoopi Goldberg, eu gosto assim... rsrs).

O preconceito já está tão enraizado na nossa cultura q as pessoas já nem percebem isso. Os politicamente incorretos dizem q então não pode fazer piada com nordestino, loira, gordo. Bem, eu nunca gostei de piada preconceituosa alguma, mas vai do espírito de porco de cada um. Agora, vc já viu um gordo ser espancado na rua por ser gordo? Já viu uma loira tingir o cabelo pq tinha medo q sua família soubesse q ela é loira? Já viu um nordestino ser expulso de um restaurante por ser nordestino? Pode ser q pra alguma destas coisas vc diga q sim, mas então me diga: com q frequencia?

Tudo está no contexto da coisa e na entonação da palavra. Por que algumas pessoas se indignam qdo um atleta chega pra outro e diz "seu negro sujo", mas chegar e dizer "seu viado filho da puta" é normal? Isso não é hipocrisia? Vc chegaria pra um anão e diria "seu anão desgraçado"?

Fazem piada com a gente, tornam o q a gente é algo ridículo, humilhante. Não é divertido passar anos escondendo o q vc é por medo das reações, não é divertido qdo vc diz pra sua família q vc é gay e sua familia diz q vc pode se "curar", não é engraçado ser namorados somente entre 4 paredes qdo todos estão de mãos dadas na rua e não ter coragem de beijar seu namorado pq não sabe o q pode acontecer em seguida, se vão apenas te olhar feio, se vão xingar, jogar coisas ou mesmo tentar espancá-los, quem sabe até linchar.

Não é divertido ver reuniões de família e ter q escolher entre ir sozinho ou não ir. Não é engraçado ver seus irmãos e irmãs com seus/suas namorad@s serem aceitos pelos pais enquanto vc tem q deixar a pessoa com quem vc quer dividir a sua vida na esquina, pq seu pai não quer vê-lo na sua porta. Saber q, se vc morrer, o seu companheiro possa ser tratado como "persona non-grata", ou até mesmo boicotado, por seus parentes no seu próprio funeral e q (no caso de quem morou junto), ele talvez tenha q enfrentar uma longa e humilhante luta pelos bens q vcs adquiriram ao longo do relacionamento, também não é (nada) engraçado.

Nada disso é motivo de piada pra quem tem bom senso e, por isso, não deveriam usar aquilo q vc é pra desmoralizar vc ou outros.

E essas coisas se refletem e se perpetuam nas piadas, na linguagem. Qdo vc diz pra alguém q ele é viado pq ele faz algo q vc não gosta, vc está sendo preconceituoso duas vezes, e está ajudando a manter esses preconceitos, não importa se, pra livrar sua consciencia, vc diga q não. Não é inocente, não é inofensivo, não é legal, e a gente se ofende, sim.


foto de Tim Hetherington, só pra lembrar como é a realidade.

— Ouvindo: Hypocrisy - álbum Hypocrisy (1999)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Antes só...

Ainda sobre o assunto do post anterior, nos últimos meses eu também tenho pensado sobre a minha carga de culpa em alguns acontecimentos recentes.

Eu sempre tive uma tendência pra pensar mais nos amigos do que em mim mesmo (um psicólogo diria que é uma maneira de fugir dos próprios problemas, tenho certeza disso). Sempre fui o tipo de amigo que as pessoas trazem os problemas e podem desabafar, mesmo sabendo que podem levar um puxão de orelhas.

Mas, no fim das contas, estou percebendo que as pessoas, muitas vezes, estão naquela situação porque assim querem, porque está confortável assim. Até mesmo aquele que vc julga o mais inocente na história, aquele que a gente acha que é um coitado e tudo o mais. Porque, às vezes, é melhor estar mal acompanhado do que só. Porque é melhor reclamar da rabugice do companheiro, da desorganização, da falta de atenção - do que não ter do que reclamar.

E, muitas vezes, vc está cheio de boas intenções e tenta ajudar mas, se vc não tomar muito cuidado, é VOCÊ quem se torna o vilão da história... e ainda corre o risco de ouvir dos próprios "amigos" (aqueles mesmos que te envolvem nos problemas) que vc "cuida da vida alheia".

Com isso tudo, estou aprendendo a me envolver menos, a observar mais de longe e, mesmo sempre tendo escolhido os amigos a dedo, estou chegando a mesma conclusão daquele velho ditado: antes só do que mal acompanhado.

Pra não dizer que não falei das Flores

Eu tenho pensado ultimamente: até que ponto as pessoas mudam? Tenho visto muitas pessoas falarem sobre mudanças, novas fases, mas... será?

Essas "mudanças" normalmente são engatilhadas por momentos turbulentos, mas em muitos casos, as pessoas se recusam a assumir sua responsabilidade nos fatos e se colocam numa posição de vítimas. Parece ser mais fácil pensar que aquilo que acontece é porque alguém nos persegue, seja uma pessoa, o cosmo, Deus, etc, do que ver que os nossos atos trazem consequencias, tanto boas quanto ruins.

Eu acho que, quando a gente se coloca como vítima, a gente deixa de perceber o estrago que os nossos erros causam nas nossas próprias vidas e acabamos insistindo neles. Isso se torna um círculo vicioso, onde vc não corrige seus erros e não muda de atitude, e, por isso, seus erros não te deixam progredir e, então, mais vc erra.

Muitos anos atrás, quando eu ainda lia os quadrinhos dos X-Men, certa vez o Wolverine (hoje tão cultuado como Hugh Jackman, na época um cowboy sem memória do seu passado e lutando contra seu lado selvagem) disse que "quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas". E é isso que eu vejo nessas pessoas.

Se, nesses momentos de mudança, as pessoas parassem pra refletir, poderiam talvez entender o que precisam fazer pra sair daquela situação ou, talvez, impedir que ela se repita.

Não que eu me ache perfeito, pelo contrário. Eu tenho alguma consciência de que algumas dificuldades na minha vida, especialmente no campo financeiro e de trabalho, são por causa de uma postura passiva diante dos fatos, de esperar as coisas acontecerem que, infelizmente, eu ainda não consegui mudar. Embora eu não consiga evitar o pensamento fatalista de que algumas pessoas simplesmente não nasceram pro sucesso, já que, às vezes, não importa a postura que eu tenha diante de algumas questões, ela sempre vai resultar em fracasso. Mas, ao contrário de algumas pessoas ao meu redor, eu procuro não culpar os outros pelo que eu sei que eles não têm responsabilidade.

Diz a música do Geraldo Vandré: "quem sabe, faz a hora... não espera acontecer".

É difícil tomar as rédeas da nossa vida, muitas vezes. Eu conheço pessoas que lutaram contra grandes dificuldades e venceram, alguns venceram com ajuda, outros por si mesmos, problemas de saúde, amorosos, familiares, financeiros, sociais e sei lá mais o quê. Admiro muito essas pessoas, por essa força de não se deixar abater, de seguir adiante e vencer.

Quando eu crescer, quero ser "que nem" eles... Só que, aos 31, a gente não tem mais a desculpa da adolescência e nem tem tanto tempo assim pra corrigir os erros pela frente...

Ouvindo — Longing for Dawn - A Sunrise at Your Feet