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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Esses amores de uma semana...

Ao meu ver, o amor é construído, vem com o tempo e precisa de paciência e colaboração de ambos os lados pra acontecer e se manter vivo. Ele até pode vir como consequência de uma paixão, mas ele não acontece de uma hora pra outra, nem acaba tão rápido assim.

Eu acho que bem mais verdadeiro do que o ditado "quando um não quer, dois não brigam", é que, se um não quer, dois não se amam. Mas o povo exagera na dose, conhece hoje, amanhã está apaixonado, uma semana depois, de tanto forçarem a barra, já se odeiam.

Eu não sei se hoje em dia o "amor" está banalizado mesmo ou se as pessoas não sabem diferenciá-lo de atração física ou mesmo paixão...


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sabem, eu queria ser "normal". Queria ser igual a todo mundo, ser hétero, não esquentar a cabeça com nada do que acontece a minha volta, não ligar pro meio-ambiente, pra política, pra corrupção, queria casar, ter quinhentos filhos e ter um empreguinho qualquer a vida toda e ficar feliz com isso.

Não queria ser hétero porque tenha vergonha de ser gay ou que não me aceite, mas porque a vida dos héteros é tão mais fácil. Vocês nem se dão conta do quanto. Poder levar namorada em casa, beijar na rua, andar de mãos dadas sem medo. Falar qualquer merda que viesse à cabeça pra uma moça bonita que passasse e não ter medo de apanhar. Não ter ouvido as coisas que eu ouvi, que era sem-vergonha, que podia deixar de ser gay, que estava possuído, não ter gente que nunca sequer teve amizade comigo perguntando da minha sexualidade pros meus amigos, não me sentir excluído nem rejeitado, não ter me sentido tão só na adolescência.

Queria não esquentar a cabeça pra não ter gastrite, pra não me sentir revoltado quase o tempo todo com o que eu vejo à minha volta, o descaso das pessoas, a corrupção não só dos políticos mas das pessoas que reclamam deles mas fazem o mesmo quando podem, ou que votam nulo porque acham que vai resolver alguma coisa, com quem joga lixo no chão porque é "obrigação da prefeitura limpar", quem maltrata um bichinho só porque é mais forte e pode. E eu confesso, eu já fiz isso, não por prazer, mas por pura raiva. E como me arrependo. Se pudesse pedir desculpas àquele bicho irritante que eu tanto odiei, eu pediria de joelhos. Não, eu não sou e nunca fui perfeito.

Queria não esquentar também porque é difícil ver que só você e uns poucos gatos pingados se importam. Dá uma sensação terrível de impotência, de isolamento. Ter a certeza que todos têm o poder, que juntos poderíamos mudar o mundo, mas ver que você está ali, gritando a toa, sozinho. E ainda ser considerado o chato, o resmungão.

Mas eu não consigo ser "normal". Eu não consiguiria falar uma grosseria pra uma moça e não me sentir mal, não consigo ver uma injustiça e não revirar por dentro, não consigo não tentar transmitir pros outros o que eu aprendi. Ter quinhentos filhos, um emprego qualquer a vida toda... Não são pra mim.

Os meus heróis eram heróis porque eram nobres como o Demolidor ou o Thor, ou porque estavam sempre buscando redenção e lutando contra seu lado ruim, sua raiva, como o Wolverine, a mesma raiva e revolta que eu sinto, me corroendo por dentro através de uma gastrite que nunca some. Meus heróis não eram homens sanguinários, vingativos e egoístas, culpando os outros por seus erros e destruindo tudo que cruzar seu caminho como um Kratos, o "herói" dos dias atuais.

Não foi isso que eu aprendi, não foi assim que minha mãe e meus heróis me ensinaram. Eu não consigo ser "normal".

— ouvindo Pantheist – Be Here